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DIVÓRCIO E RECASAMENTO
UMA PERSPECTIVA SOBRE UM TEMA CONTEMPORÂNEO

Por David L. Parrish
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Introdução

O número de divórcios está a aumentar em Portugal. A taxa bruta de divórcio subiu de 0.05 por mil em 1970 para 1.0 por mil im 1991. O número é ainda maior (percentagem mais alta) para os novos casamentos, e agora divórcio é mais frequente entre o quinto e o décimo ano de casamento. Na totalidade, existem quatro vezes mais divorciados em Portugal em relação aos anos 70. A subida deve-se à revisão, em 1975, de uma clausula da concordata na Igreja Católica e à liberalização das leis -- agora é mais fácil o divórcio!
Esta mudança de perspectiva e a falta de compromisso em relação ao casamento (que é ainda mais visível nos outros países europeus) tem tido uma influência sem precedentes na Igreja. É importante que o crente tenha uma convicção bíblica em relação a estas questões, não apenas para a sua vida conjugal (ou possível casamento), mas também para poder enfrentar "o problema" -- para aconselhar indivíduos ou casais nesta área. A posição teológica neste assunto não deve ser determinada pelas vicissitudes da sociedade, e não se pode escapar por apoiar um simples ponte de vista que não é capaz de responder às implicações deste problema ou às pessoas influenciadas.
Este texto não visa um tratamento exaustivo do divórcio, mas sim um resumo das passagens bíblicas que tratam do assunto. O propósito é para apresentar, numa forma abreviada, uma perspectiva bíblica sobre divórcio e recasamento. Procuramos proporcionar uma posição clara e sólida, baseada nas Escrituras. Depois de tratar a interpretação das passagens centrais, podemos considerar as implicações e tirar várias aplicações práticas. Notará no fim que incluímos uma lista de perguntas chaves -- questões para investigar mais, porque embora queiramos terminar com "conclusões nítidas", admitimos que o assunto é complexo -- por isso, oferecemos as conclusões com um desafio -- investigar mais, porque precisamos de saber e fazer a vontade de Deus para casamento.
Neste documento, veremos como é essencial interpretar as passagens nos contextos (o contexto histórico, linguístico e gramático). Por conseguinte, será necessário definir alguns termos fundamentais -- palavras originais que são traduzidas em Português. Apresentaremos estes termos na forma "transliterada", em vez de escrever com a letra grega. Se quiser "aprofundar" mais o seu entendimento dos termos, sugerimos que consulte um bom dicionário (léxico) e uma concordância que contém todos os usos dos termos no Novo Testamento.
Fotocopiámos as passagens tratados neste documento, e o leitor encontrará estas folhas anexas -- esperamos que isto facilite o estudo. Leiam os trechos antes de ler o comentário. É necessário prestar atenção às traduções, lembrando que, por vezes, o sentido do original é difícil de traduzir. Sugerimos que o leitor comece por ler Gênesis 2:18-25 (o começo divino de casamento) e Levítico 18:6-20 (as leis sobre relações sexuais).

As Passagens Principais

Lev. 21:7, 14 -- A primeira vez que o divórcio é mencionado nas Escrituras é para proibir o sacerdote de casar com uma mulher "divorciada" (o termo usado, garas, significa "abandonar, repudiar, thrust out"). É usado em Gn 3:24 quando Deus expulsou Adão e Eva do jardim. Veja Ezek. 44:22: "Não se casarão nem com viúva nem com repudiada . . . ."

Deut. 22:13-29 -- Um homem recentemente casado acusa a sua esposa de não ser virgem. Se é provado o contrário, ele é castigado e obrigado a não se divorciar dela para toda a vida. Na mesma passagem, um homem que tem relações com uma moça virgem deve pagar o dote e casar com ela -- e é-lhe proibido divorciar-se (shalac: despedir, repudiar, mandar embora). Veja Mal. 2:16, Isa. 50:1 e Jer. 3:1 (mesmo termo usado). A penalidade para adultério era morte (v. 21-26)!

Deut. 24:1-4 -- Um homem injustamente divorcia-se da sua mulher por causa de uma "indecência". Sabemos que esta "indecência" era algo menos que adultério, porque adultério era punido por morte (Deut. 22:20-22; Lev. 20:10), e porque havia um teste para determinar se adultério de facto sucedeu (Num. 5:12-31).
Veja a versão Revista e Actualizada. Moises não está a aprovar ou instituir divórcio nesta passagem, mas está a apresentar a restrição no versículo 4 como o ponto central. Se ela recasar, o homem não deve tomá-la de novo, sobre nenhuma circunstância, mesmo que o segundo marido morra! (Talvez o homem pensasse: "Não gosto muito desta mulher, vou mandá-la embora . . . talvez mais tarde possa 'retomá-la'".) Este texto mostra que o divórcio já existia em Israel -- a advertência realça a seriedade de colocar o cônjuge fora da relação do casamento. Não se sabe quando foi "instituido" -- em Mt. 19 Jesus diz que numa determinada altura Moises permitiu, por causa da dureza dos corações, que o homem pudesse "repudiar" a sua mulher -- contudo, pode ser argumentado que esta legislação não era a vontade de Deus. Será possível concluir que a lei no V.T. reconhece ou regula o divórcio, sem instituir ou estabelecê-lo. Versículo 4 diz que ela foi "contaminada". Jesus diz em Mt. 5:32 algo semelhante: "faz que ela comete adultério". Note bem que esta passagem não é a legislação do divórcio! A interpretação correcta deste trecho, compreendendo as condições "se", demonstra a proibição contra recasamento. Versículos 1-3 apresentam o assunto ou problema e v. 4 apresenta a lei, a restrição. Moises está a contrariar uma atitude frívola para com o divórcio, que podia resultar em "adultério legal" (se o primeiro marido tomou a mulher de novo). A lei também serviu para proteger os direitos da esposa. A interpretação correcta desta passagem é fundamental para a questão de divórcio. Importa-nos notar aqui que mesmo com o documento de "divórcio" e mesmo sob a condição da morte do segundo marido, o primeiro não era permitido casar-se de novo com esta mulher!

Esdras 9:1-2, 10-15; 10:1-11 -- Nestas passagems vemos a única situação na Bíblia quando é a vontade de Deus "separar" da esposa. Neste caso, os Judeus tinham desobedecido a lei, casando com mulheres das nações (Deut. 7:1-4). Tiveram que "despedir" todas as mulheres e as crianças nascidas delas. {Ver Neem. 10:28-30; 13:23-30}

Mal. 2:10-17 -- A nação de Israel ficou perturbada, pois, Deus não aceitava mais ou seus sacrifícios. Deus diz que eles quebraram a aliança matrimonial com as suas mulheres, ao casarem com esposas estrangeiras. Quebrar esta aliança é traição. Deus diz que odeia o "divórcio" (repúdio).

Mat. 5:27-32 -- Ao continuar a Sua explicação a cerca do que a lei realmente significa (cujo assunto Ele veio cumprir), em contraste com as tradições que produzem verdadeira rectidão, Jesus corrige as suas interpretações da lei, buscando o espírito em vez da letra. Por exemplo, Ele diz que adultério é mais do que um acto físico. Nos vs. 31-32, parece que Ele corrige as suas interpretações de Deut. 24. Divórcio começou a tornar-se um assunto simplesmente legal, e um grupo dizia que podia ser praticado por quase qualquer motivo. Cristo não está a negar as instruções de Moises, mas a refutar um ponto de vista errado sobre a lei, focando a situação provocada pelo homem que pôs a sua mulher para fora injustamente. Jesus diz se alguém "deixar" (apoluo--desprender, largar, repudiar) a sua esposa por qualquer motivo, salvo por causa de "prostituição" (R.C.), "relações sexuais ilícitas" (R.A.), "união ilegítima" (S.B.), este homem leva a sua esposa a cometer adutério (moicao). O termo traduzido "prostituição" ou "fornicação" é porneia. Reparamos que existe apenas uma situação que possa resultar num divórcio legítimo. Notamos também que casamento com uma mulher divorciada ilegitimamente resulta em adultério!

Mat. 19:1-12 -- Os Fariseus levantaram a questão do divórcio de novo. Eles estavam a prová-lO, talvez em relação à questão de João Baptista e Herodes. Aqui em Mat. 19 Jesus está na Pereira; João tinha dito a Herodes que era ilegal possuir a esposa de seu irmão (Mat. 14:3-4) baseado em Lev. 18:16. Os Fariseus, com esta questão, esperavam que a resposta de Jesus pudesse provocar Herodes e o povo contra Jesus. Recordamos que Jesus tinha dito anteriormente que havia uma só possibilidade para divórcio. A questão "é legal repudiar por qualquer motivo?" não foi respondida directamente. Jesus chama a atenção para a criação e a instituição original do matrimónio. Deus criou-os macho e fêmea. Deus uniu-os. São uma só carne. O homem não deve procurar a divisão (corizo) desta união. Cristo não está a dizer que qualquer divórcio "legal" separa esta união ou que homem está autorizado a "quebrar" este laço -- pelo contrário não devem tentar fazer tal. Os Fariseus voltaram ao que acreditavam ser a instituição mosaica de divórcio (como em Mat. 5). Jesus clarifica: não é um mandamento, mas uma permissão, por causa da dureza dos corações e da provável proliferação do adultério. Jesus conduze a sua atenção ao plano original de Deus, a "lei" mais alta do que qualquer "permissão" concedida mais tarde. Nós sabemos que divórcio passou a existir em algum ponto da história porque José desejou rejeitar (apoluo) Maria durante o seu período de noivado, quando lhe pareceu que ela tinha sido infiel (Mat. 1:18). Mas o que Moises permitiu não era o plano original de Deus (v. 8) e Jesus repete a rigorosidade em v. 9 (compare 5:32). A resposta dos discípulos no v. 10 indica que a posição de Jesus sobre divórcio era mais rigorosa do que qualquer escola rabínica: "se esta a situação, não convém casar"! A Escola de Shammai focava mais em lascívia em geral. Outras "escolas" (Hillel, por exemplo), ensinaram que qualquer "defeito" na mulher era razão suficiente para divorciar-se. Talvez os discípulos ficaram chocados pela possibilidade de cometer adultério com alguém que tivesse um divórcio "legal" -- veja a cláusula adicional no relato de Lucas (16:18).

De novo, Jesus reconhece uma possibilidade legítima (porneia) para divórcio. Parece que há uma situação que pode resultar num divórcio legítimo e em recasamento sem adultério. Desde que Deus uniu 2 pessoas para serem uma só carne, a compreensão da natureza desta "excepção" é crucial. Para concluir que porneia simplesmente significa adultério é incorrecto, porque Cristo não usou a palavra para adultério (moiqueia).

Já que Marcos e Lucas não registaram a "excepção" nas passagens paralelas, porneia poderia ser algo que somente os leitores Judeus de Mateus compreenderiam. Nem Paulo menciona tal excepção em 1 Cor. 7, onde ele expõe a posição de Cristo. porneia pode ser uma referência ao incesto (é usado deste modo em 1 Cor. 5:1). Assim poderia ser um casamento incestuoso, contrariando às leis em Lev. 18:6-18 -- o mesmo pecado de que Herodes era culpado. Uma comparação da lista de proibições dada em Actos 15:20-29 para os crentes Gentios, com as leis dadas em Lev. 17:10-16 e 18:1-18, sugere esta possibilidade para porneia em Mat. 5 e 19. Jesus poderia simplesmente dizer que em caso de tal ilegalidade no casamento, o divórcio seria permitido.

Uma outra hipótese para a excepção e o sentido de porneia, que também seria dirigida somente aos leitores Judeus, tem a ver com o período de aliança para casamento. A ideia é que era permitido quebrar a aliança de noivado -- um "divórcio" (que nós chamavamos "anulação) antes que seja consumado o casamento. A situação que José enfrentou com Maria em Mat. 1:18-25 providencia o exemplo: José resolveu deixá-la {apoluo} secretamente quando descobriu que ela estava grávida.

O termo porneia tem um sentido extenso e é usado também para imoralidade em geral (Gál. 5:19; 1 Cor. 6:13). Por essa mesma razão, Steve Lane propõe um ponto de vista alternativa: a hipótese de porneia envolver o casamento incestuoso e/ou o acto adúltero. Assim, o termo englobava as 2 áreas. Se a excepção inclui uma união manchada por um dos cônjuges, por tornar-se fisicamente uma só carne com outro, talvez possamos concluir que o "laço" original seja quebrado. (Em 1 Cor. 6:16 Paulo declara que quem se uniu com uma prostituta torna-se uma só carne com ela, citando o princípio de Gen. 2:24 -- a ideia seria que esta nova "união" em imoralidade quebrava a primeira.) Resta-nos avaliar esta consequência, se tal situação possa estar ligada com a excepção (porneia). Mas permitir o divórcio na base de qualquer conduta imoral (pensamentos adúlteros, pornografia, etc.) não superava as perspectivas rabínicas e não seria uma "excepção". De qualquer maneira, os discípulos, Fariseus, e Judeus devem ter entendido que o casamento proibido poderia terminar em divórcio legítimo.
Concluimos, então, que Cristo estã a permitir divórcio legal aos olhos de Deus por pelo menos um motivo. Mas deve ser lembrado que embora Cristo apresente uma excepção, Ele salienta o plano original de Deus, não ordenando, nem encorajando divórcio. É muito importante notar que há pessoas que admitem esta "excepção" de Jesus para divórcio, mas sem justificação para recasamento. Normalmente assumimos recasamento, mas queremos notar aqui que Cristo nunca o mencionou. Versículos 11-12, de facto, constituem um argumento contra recasamento: "Nem todos podem compreender isto, mas apenas aqueles a quem Deus concedeu tal entendimento." Ele diz que existem "eunucos" por três motivos.

Marcos 10:1-12 -- Marcos regista o mesmo incidente que vemos em Mat. 19. Ambos evangelistas recordaram os três princípios na resposta de Jesus: 1) o propósito original de Deus em criação; 2) a união numa só carne; e 3) o facto que o homem não deve separar aquilo que Deus ajuntou. Notam-se 5 diferenças no relato: 1) v. 3 -- Jesus responde com uma questão: "Que vos mandou Moisés?" 2) v. 9 -- não menciona nenhuma excepção; 3) v. 10 -- Marcos clarifica que Jesus falou em particular com os discípulos acerca do adultério; 4) v. 11 -- Jesus falou do adutério quando cometido contra a esposa. Isto tem por intenção o efeito de elevar a condição de esposa e pôr o marido debaixo da obrigação de fidelidade; 5) v. 12 -- acrescenta a possibilidade da esposa se separar do marido (contudo isto seria também errado).
Acentuamos que quando os discípulos lhe interrogaram em casa, Jesus respondeu: "Qualquer que deixar a sua mulher, e casar com outra, adultera contra ela. E, se a mulher deixar o seu marido, e casar com outro, adultera." (A única coisa registada por Lucas.) Jesus tinha perguntado aos Fariseus a cerca do mandamento de Moisés. Ele explicou que a lei de Moises contrariou o plano de Deus. Com os discípulos Ele repete a Sua posição (note Mat. 19:9: "Eu vos digo, porém . . ."), enfatizando a vontade de Deus em relação ao divórcio.

Lucas 16:18 -- A ênfase dada em Lucas é que adultério é o resultado do divórcio e recasamento, e nenhuma excepção e dada. Esta declaração é destinada a apoiar a continuidade da lei (que não cai sequer um "til" -- v. 16-17). Os Fariseus justificaram-se diante os homens (v. 15), e o ensino de Jesus sobre divórcio era uma ilustração que não é a lei humana que governa, mas a lei de Deus, e esta será cumprida.

Rom. 7:1-3 -- Para mostrar como o crente estava livre do domínio da lei perante a sua posição de morte com Cristo, Paulo usa a ilustração da ligação matrimonial. A mulher está ligada ao seu marido enquanto ele viver. Se ela se unir com outro durante a vida do seu marido, vive em adultério.

1 Cor. 7:8-16, 25-28, 39 -- Paulo dirige-se a vários grupos nesta secção: primeiro, aos solteiros e viúvos (v. 8-9); em segundo, aos crentes casados (v. 10-11); em terceiro, aos casamentos mistos (v. 12-16); em quarto, às virgins (v. 25-40).
Em relação aos crentes casados, Paulo diz que transmite as próprias instruções do Senhor. A esposa não se separe, aparte (corizo -- a palavra usada por Cristo em Mat. 19:16, "não separe o homem") do marido. Não está claro se este termo significa divórcio. Mas se ela vier a separar-se, não pode casar-se: ou permanecer só, ou reconciliar. V. 11 diz que o homem não pode mandar embora, ou "apartar-se de" (afieimi) a sua esposa. Este verbo, também traduzido "deixar" (R.C.), é diferente daquele que Cristo usou para divórcio. Mas, de qualquer forma, os crentes não podem procurar o divórcio.

Em relação ao problema dos casamentos mistos, Paulo trata um assunto que Jesus não focou. O homem crente não deve mandar embora (ou abandonar, deixar -- afieimi) a sua esposa descrente se esta desejar permanecer. O mesmo é valido para a mulher crente. O cônjuge crente não deve pensar que o descrente corrompe a família; o contrário é verdade. O crente deve sempre lembrar-se da importância do seu testemunho (ver 1 Pedro 3:1). Mas, Paulo continua, se o descrente se for embora (corizo), o crente deve deixá-lo ir (corizo) porque ele ou ela não está debaixo de servidão. Isto não significa que o crente deixou de estar debaixo da aliança matrimonial (o que contraria Rom. 7:2 e 1 Cor. 7:39), mas sim que não é obrigado a contestar o divórcio. O crente deve perseguir a paz, e não a amargura, porque por meio desta atitude o descrente poderá vir a ser salvo (note o uso de "pois" em v. 16).

Quanto aos v. 27-28, é necessário tratar o termo "livre" e a permissão para casar. "Livre" (luo) significa liberdade para ligações matrimoniais, mas é dirigido às virgins e às viuvas. Veja v. 8-9, 25-26, 34, 38-39. Notamos que embora Paulo aceite o divórcio para o descrente quando essa pessoa recusa permanecer, mesmo assim ele não encoraja ao divórcio e é assumido que o crente deverá procurar preservar o casamento, amando o descrente. Terminamos por destacar as palavras de Paulo em v. 27 e 39: "Estás casado? Não procures separar-te"; "A mulher está ligada enquanto vive o marido."

Implicações Das Passagens

Temos visto as passagens principais que tratam o divórcio, e temos proporcionado algumas interpretações. Queremos resumir por ver algumas das implicações mais realçadas destas passagens, oferecendo algumas conclusões.

  1. O carácter sagrado do casamento é claro em Gen. 2:22-24, nos mandamentos para não cometer adultério (Ex. 20:14, etc.), e no castigo para este pecado (Lev. 20:10).
  2. Deus odeia divórcio. Jesus diz que não era a vontade de Deus. Um divórcio ilegítimo é pecado e recasamento resulta em adutério.
  3. É possível obter um divórcio "legal" (perante o estado) e assim entrar num estado de adultério através do recasamento. Homem (o estado) não possui a autoridade de separar o que Deus tem ajuntado. Não se pode "desfazer" a relação numa só carne.
  4. Um divórcio "verdadeiro" aos olhos de Deus pode ser apenas a consequência da anulação, na cultura judaíca, do comprimisso de noivado, ou o cortar dum casamento proibido (como incesto). Compete-nos estudar mais a questão de adultério como uma hipótese também para a "excepção". Contudo, "abandono", "deserção", ou "incompatibilidade" não podem ser acrescentadas à lista!
  5. Se um divórcio legítimo suceder, pode ser concluído que o casamento foi dividido, separado aos olhos de Deus. Ainda assim, estamos hesitantes em assumir que recasamento possa ser realizado.
  6. Divórcio não é permitido para o casal cristão -- mesmo uma interpretação mais "liberal" de 1 Coríntios 7não admite o divórcio para dois crentes.
  7. Separação temporária talvez possa ser necessária em determinadas situações (abuso físico do cônjuge ou crianças).
  8. Nos casamentos com crente/descrente, o crente deve tentar preservar o relacionamento. Se divorciado actualmente, deve-se procurar reconciliação. Se o descrente recusar ficar no casamento, o crente não deve contestar o divórcio.
  9. Se o crente é recasado, mesmo tendo tido um divórcio não bíblico, não lhe é permitido dissolver, anular o casamento actual para voltar ao cônjuge anterior.

Aplicações Práticas

Como é que vamos responder, na vida prática, a estas interpretações bíblicas? Quais são algumas linhas especifícas para considerar? Deixamos as seguintes sugestões:

  1. O Pastor-mestre deve ser diligente ao ensinar os padrões de Deus concernentes ao casamento. Pontos de vista frívolos na sociedade acerca do casamento afectam a Igreja, e isto deve ser contrariado pela ênfase da permanência do casamento, da seriedade da aliança, e da vontade de Deus desde o princípio da instituição em Gênesis. Esta severidade deve ser salientada no conselho pré-nupcial e na própria cerimónia de casamento.
  2. Se bem que Cristo apresente uma excepção válida para divórcio hoje em dia, o crente deve ser extremamente cuidadoso ao considerar tanto o divórcio como recasamento por duas razões:
    a. O teor total das Escrituras é contra o divórcio e recasamento.
    b. O desejo do crente deve ser agradar a Deus como factor principal. A nossa tendência é uma atitude farisaica: procurar um meio de saída. A nossa pergunta tem sido: "Quais são as condições para o divórcio?" ou "Está certo divorciados recasarem?"; mas a pergunta de Cristo foi: "Está certo para o casado divorciar-se?"
  3. Se uma parte quebra (por exemplo, deserção do descrente e evidente adultério), a parte inocente deve esperar e ser fiel à aliança por duas razões:
    a. Para não impossibilitar a reconciliação; Deus pode efectuar isto milagrosamente, embora leve tempo.
    b. O desejo de Deus é que a parte inocente perdoe (ver Oseias; Ef. 5:22-23; Lucas 17:3-4).
  4. A igreja local deve estar envolvida nos procedimentos disciplinares em casos que envolvam crentes com comportamento imoral.
  5. A Igreja deve demonstrar verdadeiro amor e perdão por aqueles que cometeram pecado no passado -- pecado que Deus já perdoou; e por aqueles que sofrem dos efeitos do divórcio.
  6. Camaradagem especial e ministérios especiais deverão ser desenvolvidos para encorajar e apoiar os afectados pelo divórcio, especialmente pais solteiros.
  7. Qualidades que caracterizam correntemente uma vida são as que devem ser consideradas ao determinar a liderança na igreja local. É dificil determinar se 1 Tim. 3:2, 12 proíbe categoricamente um homem divorciado, mas se alguém for considerado assim, duas questões exigem muita consideração:
    a. É ele acima de tudo censurado?
    b. Pode ser demonstrado que ele governa bem a sua própria casa?
    Se não, o indivíduo deve ser encorajado a usar os seus dons em alguma outra área na igreja.

Questões Para Incentivar O Pensamento

É evidente que existe dificuldade em chegar a uma conclusão positiva nas questões, por causa de problemas interpretativos. Mesmo eruditos conservadores encontram-se nas extremidades opostas das respostas mais variadas a estas perguntas. Seguidamente estão alistadas algumas questões chaves que requerem considerações adicionais:

  1. Se Jesus tivesse argumentado que o divórcio era permitido somente em caso de adultério, como poderia Ele tornar-se mais claro? (Note: o termo normal para adultério, moiqueia, é distinto de porneia em Mat. 15:19; Mar. 7:22; 1 Cor. 6:9; Gal. 5:19; Heb. 13:4 -- mas a "excepção" que Ele apresenta é baseada em porneia.)
  2. Se a "excepção" em Mat. 5 e 19 não se refira ao período de noivado no Judaísmo, ou aos casamentos incestuosos, porquê é que a "excepção" não é dada em Marcos ou Lucas?
  3. O termo corizo significa divórcio (ou simplesmente separação) em 1 Cor. 7?
  4. Porquê Cristo empregou apoluo (para "deixar" ou "repudiar" a mulher) em Mateus 5 e 19, o mesmo termo que se encontra com José em Mat. 1:19, mas Paulo nunca usou esta palavra, optando para o termo afieimi?
  5. É possível comparar a dissolução dos casamentos proibidos em Esdras e Neemias com a perspectiva sobre os casamentos incestuosos em Mateus?
  6. Pode ser claramente demonstrado que Deus instituiu o divórcio em alguma altura no V.T.? Quando? Como se explica a transição aparente da pena de morte até ao divórcio, para o pecado de adultério?
  7. A palavra "livre" (luo) em 1 Cor. 7:27-28 refere-se a pessoas divorciadas ou uma libertação do laço matrimonial? Vai ser dificil provar esta ideia!
  8. Porqué é que a opinião dos "Pais da Igreja" era tão rigorosa em relação ao divórcio, definitivamente contra o recasamento? É possível que a perspectiva sobre divórcio e recasamento tornou-se mais "liberal" (procurando outras interpretações das passagens) por causa das pressões da sociedade?
  9. É possível que a proibição de Jesus contra recasamento era também uma proibição implícita contra poligamia?
  10. Será que a interpretação correcta de Deut. 24 (a proibição contra recasamento com a primeira esposa) tem algo a ver com o dote de casamento?

Conclusão

Depois de analisar as passagens centrais que tratam o divórcio, diríamos que uma simples posição ("não há divórcio") ou uma orientação liberal (que apoia um divórcio ou recasamento em quase todas as situações) não tratam rectamente os textos bíblicos. A perspectiva apresentada neste documento é definitivamente inclinada contra o divórcio, com certas excepções limitadas. Mesmo com a "abertura" de "excepções", o peso de evidência é contra o divórcio e a favor de um cônjuge para toda a vida. É essencial compreender a vontade de Deus, expressa em todas as passagens, em vez de tentar justificar um divórcio através dum versículo cuja interpretação é obscura.

A tendência é interpretar as Escrituras na base da experiência ou necessidade. Por consequência, importa-nos estudar e entender as Escrituras, fortalecendo as nossas convicções nas áreas de casamento, divórcio e recasamento. Acreditamos que é imprescindível ensinar o padrão bíblico sobre casamento. Se começassemos com uma convicção sólida sobre a natureza de casamento, entrando na aliança com este entendimento e convicção, poderíamos previnir alguns problems.
A Igreja tem sido enganada, ao ponto de deixar ou permitir descuidadamente um divórcio ou recasamento por quase qualquer razão. Por outro lado, a Igreja deve estar pronta a responder às situações actuais, ministrando aos indivíduos envolvidos. Não podemos "rejeitar" os divorciados; nem podemos ser lentos em perdoá-los. Na base duma interpretação sólida da Palavra de Deus, e na base dum amor sincero, a Igreja estará pronta a avaliar e responder às situações difíceis e complexas da nossa sociedade.



 
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